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Indústria Financeira e Blockchain: cada vez mais juntos

Muito se fala de que uma das principais aplicações da tecnologia do Blockchain está relacionada ao setor financeiro. O fato é que o interesse por parte desta indústria é latente e cresce a cada período.
Segundo pesquisa da Accenture, ¾ dos bancos entrevistados já trabalham em uma prova de conceito e 90% já estudam a tecnologia.

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Figura 1: Porcentagem de entrevistados explorando o uso de blockchain/DLT em pagamentos ; Figura 2: Estágio atual de adoção do blockchain pelos bancos

Desses, a grande maioria se concentra em transferências intra-bank sobre fronteiras. Remessas internacionais, pagamentos corporativos e transferências internacionais entre bancos estão recebendo menos atenção.

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Principais casos de uso sendo explorados

Já a outra gigante da consultoria, a Deloitte, acredita em 5 casos de usos principais para a indústria:

Em um relatório da empresa em agosto de 2016, em conjunto com o Fórum Econômico Internacional, a empresa estudou 9 casos de usos da tecnologia relacionados a infraestrutura do mercado financeiro global.

  • Payments: Global Payments
  • Insurance: P&C Claims Processing.
  • Deposits and Lending: Syndicated Loans
  • Deposits and Lending: Trade Finance
  • Capital Raising: Contingent Convertible (“CoCo”) Bonds
  • Investment Management: Automated Compliance
  • Investment Management: Proxy Voting
  • Market Provisioning: Asset Rehypothecation
  • Market Provisioning: Equity Post‐Trade.

Inclusive, já começam a aparecer os primeiros casos de uso de Dívidas (Bonds) sendo emitidas em blockchain:

Dívidas convertidas em participações; Modelo Atual (WEF Report. 2016):

Modelo proposto com blockchain:

Principais Projetos no mundo:

  • World Bank Group / Commonwealth Bank of Australia – Austrália

O World Bank Group (instituição financeira global de investimento em reconstrução e desenvolvimento sustentável), juntamente com o Commonwealth Bank of Australia (CBA), emitiu a primeira bond criada, alocada, transferida e gerenciada totalmente utilizando DLT. O CBA é o único arranger da operação, e o World Bank emite entre US$50-60 bilhões anualmente em bonds para o desenvolvimento sustentável e tem um bom track record de inovação nesta linha.

A plataforma é privada e hospedada na blockchain da Ethereum e foi desenvolvida pelo CBA Blockchain Centre of Excellence. A infra-estrutura do World Bank para a dívida será administrada de Washington, D.C. utilizando a plataforma cloud Microsoft Azure. A Microsoft também foi responsável pela verificação e validação do segurança, escalabilidade e capacidade da rede.

O Nome da bond é “Bond-i” (“Blockchain Offered New Debt Instrument”), uma alusão à famosa praia Australiana. A firma King & Wood Mallesons ficou responsável pela estrutura jurídica da emissão e estruturação da plataforma.

Um bond de 2 anos, com pagamento de 2.2% de juros ao ano pago semestralmente. O World Bank conseguiu arrecadar A$110 Million (81 milhões de dólares) com este título de dívida. Entre os investidores, estão CommBank, QBE Insurance, First State Super, NSW Treasury Corporation, SAFA, a Treasury Corporation of Victoria e o Northern Trust.

  • Al Hilal Bank – Emirados Arábes

O banco Al Hilal, um dos principais bancos dos emirados árabes, se tornou o primeiro banco a comprar e liquidar uma Sukuk (título de dívida aceito pela religião islâmica) no blockchain.

A iniciativa foi uma colaboração entre o Abu Dhabi Global Market (ADGM), Al Hilal bank e a Jibrel Network (fintech Suíça com escritório em dubai). A operação foi realizada no mercado secundário, para transferência de uma pequena porção do título da dívida de 5 anos de 500 milhões. Foi relatado que o valor da transação foi de 1 milhão de dólares, vendido a um investidor privado

  • Oesterreichische Kontrollbank AG – Áustria

O banco OeKB utilizou a tecnologia blockchain para notarizar os dados de um leilão federal na Áustria que arrecadou 1.15 bilhões de Euros.O OKB realiza os leilões em nome da Agência de Finanças do Governo Federal (OeBFA) responsável pela gestão da dívida da república

O serviço de notarização fornece todo o caminho para verificar a autenticidade dos dados. Foi realizado pelo departamento de TI do banco, suportado pelo blockchain Ethereum.

A notarização envolve criptografia para os documentos gerarem uma única identidade, o hash, sem comprometer informações sensíveis. Isto possibilita que o documento original seja armazenado com segurança nos servidores do OeKB e a autenticidade do documento pode ser garantida.

  • Sberbank – Russia

O gigante bancário Sberbank em parceria com a gigante de telecomunicações MTS, emitiram títulos de dívidas no valor de 750 milhões de rublos (12 milhões de dólares) em um blockchain proprietária fornecida pelo National Settlement Depository (NSA) russo e hospedada no Hyperledger Fabric.

A plataforma permitiu que todo o ciclo de vida do título fosse realizado via blockchain, desde a oferta privada até o acompanhamento da performance do emissor em relação às suas obrigações com os investidores e liquidação em rublos.

  • Santander – Espanha

No dia 11 de Julho, o banco anunciou a criação da unidade Digital Investment Banking, focada na implementação da tecnologia Blockchain na transação, custódia e gestão de securities. O diretor da área, John Welman, já foi presidente da International Ripple Business Association e do Santander Labs desde 2016.

O banco, extremamente envolvido com a tecnologia, é acionista da ripple labs e implementou a solução xCurrent da Ripple para seu aplicativo de remessa internacional OnePay FX.

  • BBVA – Espanha

O banco espanhol BBVA é o pioneiro em empréstimos e linhas de crédito para empresas que utilizam blockchain. Foi o primeiro a realizar um empréstimo corporativo suportado pela tecnologia blockchain, desde a negociação até o fechamento do negócio. Estruturado em parceria com a expert de tecnologia, Indra, o empréstimo total foi de 75 milhões de Euros.

O banco firmou uma parceria com a empresa de energia Repsol para esforços conjuntos no desenvolvimento da tecnologia para soluções financeiras. O Banco utilizou a tecnologia para refinanciar uma linha de crédito com a empresa no valor de 325 milhões de Euros. O projeto utiliza o blockchain privado Hyperledger com os contratos assinados registrados na testnet da Ethereum.

Em julho, BBVA assinou um novo empréstimo com a ACS utilizando a mesma plataforma. Desta vez, no valor de 100 milhões de Euros.

  • HSBC – Inglaterra

O banco foi o primeiro a realizar uma transação global suportada pelo blockchain, em maio deste ano. O banco forneceu uma carta de crédito para a gigante agro Cargill. A transação envolveu o envio de grão de soja da Argentina para a Malásia.

Em março de 2017, já havia realizado uma prova de conceito com o Banco Central de Hong Kong nesta área.

  • Itaú – Brasil

Temos um brazuca na lista! O itaú captou 100 milhões de dólares em uma operação de crédito sindicalizado (club loan), junto ao Wells Fargo e ao Standard Chartered, utilizando Blockchain.

 

Ainda há muito a se caminhar nesta estrada, porém, os primeiros projetos já começam a aparecer e com quantias relevantes. Isto mostra a saída da fase de prova de conceito para a prova empírica. A indústria mostra um princípio de solidez, amadurecimento e emancipação do bitcoin e das criptomoedas.

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